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Quarta-feira, 08 de setembro de 2010 - 20:36   

Depoimentos

Aula-Trote

Aluna da Unesp-Rio Claro


No ano passado (2005), ingressei no curso de matemática da Unesp de Rio Claro. Foi uma felicidade poder estudar em uma universidade pública, afinal batalhei para isso. Embora tenha entrado direto do 3º ano do ensino médio, estudei muito. Foi também uma tristeza, pois abomino qualquer pratica trotista.
No dia da matrícula foi um terror, mas como tive total apoio da minha mãe conseguimos contornar esta situação. Ela conversava com os trotistas, dizendo que eu tinha alergia a tinta, que eu não aceitava brincadeiras desse tipo. NÃO CONSIDERO O TROTE UMA BRINCADEIRA, MAS SIM UMA FALTA DE RESPEITO COM O PRÓXIMO, POIS NÃO É RESPEITADA A LIBERDADE DE EXPRESSÃO.
Após a matrícula, fomos na diretoria da Universidade para falar com o diretor pois fui coagida DENTRO da Universidade ('ameaças' do tipo não tem trote hoje, mas tem pior depois). Não conseguimos falar com o Diretor, mas falamos com a Vice-diretora, ela muito educada e atenciosa disse que ela não podia fazer nada, o máximo que poderia fazer era conversar com a coordenadora do curso que AUTORIZOU o trote dito não violento (SERÁ MESMO TROTE NÃO VIOLENTO?) para chamar a atenção dos trotistas que praticaram a coação. Poderia também me aconselhar a não ir em alguns dias da recepção dos ingressantes, mas o primeiro dia era o principal pois seriam apresentados os professores. Mais calma, voltei pra casa com minha mãe. Chegou o dia da apresentação dos professores. Como minha mãe foi me levar, a coordenadora do curso convidou minha mãe e uma outra mãe para assistir a apresentação dos professores (E NÃO PROFESSORES TAMBÉM, MAS ISTO EXPLICO A SEGUIR). Na apresentação observei uma professora pintando o rosto de um aluno.
No fim da apresentação, o grupo trotista convidou os alunos para conhecerem a Universidade. Nessa atividade os novos alunos foram jogados na lama e posteriormente fizeram pedágio (NESTE MOMENTO, EU E MINHA MÃE FOMOS EMBORA, POIS NÃO QUERIA FAZER PEDÁGIO, NEM SER JOGADA NA LAMA, NEM SER PINTADA ENTRE OUTRAS COISAS COMO COLOCAR A CARA EM UM BALDE DE ÁGUA SUJA, ETC. EXISTEM FOTOS EM UM SITE QUE COMPROVAM A EXISTENCIA DESTES FATOS:http://br.pg.photos.yahoo.com/ph/rafaelcostola/album?.dir=/4c14&.src=ph&.tok=phQnCwCBTbse81w_ , MAS COMO FOMOS EMBORA, NADA POSSO AFIRMAR). Sem muitos problemas até então, os que tive consegui contornar.
Finalmente chegou o grande dia, meu primeiro dia na Universidade... e também vieram as decepções.... Primeira aula, o professor se apresenta, informa como dará as aulas, os livros que serão usados (ENTRE ELES UM EM ALEMÃO) e começa a aula... Assunto do dia: MATRIZES CÚBICAS, ele prende nossa atenção por duas horas e no final da aula aplica uma provinha (ele tinha explicado no começo da aula que este era seu método, no final de toda aula daria uma provinha para ver se realmente entendemos...), foi embora, entrou o professor de Geometria Analítica e deu sua aula normal...
Dois dias depois, ele voltou e disse que, de todos os tempos, foi a pior prova que ele corrigiu (NEM ME PREOCUPEI, POIS SABIA QUE TINHA ENTENDIDO A MATÉRIA), depois disso ele disse que matrizes cúbicas não existem! Fiquei pasma! Disse também que as provas que tínhamos feito estavam correndo pelos corredores da Universidade nas mãos dos veteranos que riam da nossa cara...
Fiquei mais impressionada quando ele disse: NÃO BRIGUEM COMIGO, BRIGUEM COM A PROFESSORA DE CÁLCULO DE VOCÊS, FOI ELA QUE AUTORIZOU E CEDEU O HORÁRIO, e saiu dizendo que foi um prazer em nos conhecer...
Ele saiu e entrou a professora VERDADEIRA de cálculo. Que dando risada, se apresentou e começou a dar aula. Assisti a aula dela, mas enquanto prestava atenção na revisão que ela fazia de conceitos do ensino médio, eu pensava, COMO POSSO ESTUDAR NUMA UNIVERSIDADE QUE PASSA CONHECIMENTOS ERRÔNEOS? Acabou a aula, teve outra e quando acabou a outra fui para o carro, pois minha mãe já estava me esperando. Cheguei no carro e comecei a chorar, pois não me conformava em ter sido feita de boba com a AUTORIZAÇÃO DE UMA PROFESSORA QUE CEDEU O HORÁRIO. Queria desistir!
Minha mãe me apoiou muito e não desisti!
Em um outro dia, fomos à diretoria e falamos com o diretor a respeito dessa aula trote, entre outros assuntos que me preocupavam como greve de alunos, mas não vem ao caso. O que importa é que que o diretor disse QUE EXISTIA ESSA AULA TROTE, MAS NÃO SABIA QUE TRAZIA TANTAS CONSEQÜÊNCIAS COMO ME TROUXE, MAS SEMPRE TEVE, E QUE ERA ORGANIZADO PELOS ALUNOS E A COORDENADORA DE CURSO. Ele se mostrou preocupado, espero que ele faça alguma coisa neste ano para os alunos ingressantes, pois eu, já fui afetada, e não há nada que possa fazer que me conforte além de evitar que isso aconteça mais vezes prejudicando mais pessoas.
Tudo isso fez com que eu quisesse em todo momento desistir do curso e prestar o mesmo curso, porém em outra Universidade.
Minha mãe me apoiou mais uma vez e aconselhou a não desistir do curso, pois teria que passar por tudo isso de novo...
Enfim, acabei pedindo transferência pra Usp de São Carlos, prestei a prova, passei e agora em janeiro me matriculo lá!
Contei tudo isso, pra dizer que também considero AULA TROTE um ato de agressão, pois mesmo não sendo agressão física, é uma AGRESSÃO PSÍQUICA, pois passam conhecimentos errôneos.
No meu modo de pensar, aula trote é tão agressivo como pintar seu rosto sem seu consentimento, ou obrigar fazer pedágio...
Digo também, como uma UNIVERSIDADE pode ensinar conceitos errôneos?
Finalmente, ABOMINO qualquer tipo de trote, seja solidário (SOLIDARIEDADE, VOCÊ FAZ POR QUE VOCÊ QUER E NÃO POR QUE TE OBRIGAM!), seja as AULAS TROTES ou mesmo os tradicionais TROTES!


      

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